Metamorfose Ambulante

DA SÉRIE: MEUS TEXTOS VELHOS RECOBADOS PARA CÁ

 

Cá nós, em nossa miserabilidade humana, temos tendências preconceituosas ao julgar as outras pessoas. Porque afinal condenar os outros – principalmente se não gostamos – é mais fácil que se auto-condenar. E nos outros vários conceitos não podem ser aplicados, como por exemplo o da evolução. Dizem que a primeira impressão é a que fica, e esse é um exemplo desse erro: não aceitamos que as pessoas possam mudar a si mesmas. Sendo assim, se a primeira coisa que você vê em uma menina é ela quase estuprando um cara, ela vai ser uma “mulher leviana” na sua cabeça sempre, mesmo que tenha baixado uma luz nela e ter virado freira. “Pobres padres”, será a primeira coisa que você vai pensar. Afinal Maria Madalena foi convertida e até hoje referimos à ela como prostituta.
E essa visão bem preconceituosa levamos para todos os lugares, até mesmo no ódio que alguns alimentam de certos personagens da ficção vem de uma primeira impressão. Pense em seu personagem mais odiado, e agora pense na primeira vez que você viu ele. Certamente você odiou desde o primeiro borrão de tinta, e certamente a partir daí sempre que aparecia, você incrivelmente conseguiu enxergar todos os defeitos dele, curiosamente sem enxergar nenhuma virtude. Afinal o que é bom sempre é bom e o que é mau sempre é mau. Se você foi uma pessoa que conseguiu visualizar perfeitamente o que acabei de propor, sugiro uma auto-avaliação: você não consegue aceitar mudanças e tem uma visão extremamente parecida com a de uma peneira. Quem sabe seu pior inimigo tenha se transformado tanto que se pareça com alguém que você adoraria ser amigo? O vice versa também é aceito.
Evolução existe, todo mundo passa por ela. As pessoas mudam e os personagens também.

Mas esse inicial eu não coloquei para ficar bonitinho, e sim ilustrar uma história de uma certa personagem. Com o “raio-x-peneira” de muitos, é extremamente condenada por todo e qualquer ato que fez no passado, tendo os atos presentes ignorados ou mau interpretados. Uma personagem que ao longo da história sofreu enormes transformações, sendo impossível associar atos do passado com o espírito de agora, transformando-se em praticamente dois personagens distintos, o antes e o agora. Uma personagem que decidiu várias vezes se mudar.
Estou falando da Sakura, é claro!
Não tem personagem na história que tenha mudado mais que ela, o mais parecido talvez seja só uma alma reprimida que recentemente decidiu se libertar, feito uma águia (you-know-who). Cada vez que aparece alguma grande dor para ela muda a si mesma, para melhor se adaptar a sua nova situação, e essa é a mudança dela. Um perfeito exemplar da teoria de Darwin, se adapta as diversas situações, e incrivelmente o cabelo vai junto. Toda vez que acontece uma mudança drástica na sua personalidade, o cabelo muda.
Vamos ver essa evolução?
Não quer?
Pois vou mostrar assim mesmo e você vai ficar aí quetinho lendo, porque estou madando!

Cabelo tapando a cara

Sakura era uma criança triste, reprimida e ridicularizada. Tudo isso devido ao tamanho da sua testa, que era muito grande para o padrão das outras crianças, que faziam troça dela e a excluíam de tudo. Tudo bem que tiverão personagens com passados mais tristes, mas para ela aquilo doía, e muito! Basicamente nesta ocasião ela era uma pobre coitada.
Então, ela apareceu, linda e deslumbrante e loira, vindo ao seu caminho. Não, não é o amor da sua vida (bem… talvez seja), e sim aquela que seria conhecida como a sua melhor amiga. Ino se aproximou dela e decidiu ser sua amiga, a ajudando a superar suas dificuldades e a ensinando a ser um pouco mais forte. Não há como dizer que Sakura nunca sentiu inveja de Ino, já que ela parecia ser o que sempre quis ser: amada e popular.

E foi se juntando à ela que Sakura conseguiu tirar o termo reprimida dela. Conseguiu confiança.

Cabelo grande

As coisas mudam, e a relação de Sakura e Ino mudou. Se antes Sakura se sentia mais confiante e alegre ao lado da amiga, agora o jogo inverteu. Sakura começou a se tornar a sombra de Ino, não tendo vontades própria, sendo as vontades de Ino agora as suas. Como bem disse no anime, Sakura é um botão de flor, e Ino parece ser a telinha protetora, que impedia que ela desabroche, dominando completamente Sakura. Não sei se vocês já tirarão essa telinha de um botão de rosa, mas quando se tira, imediatamente desabrocha. Todavia a relação estremeceu para valer quando Ino começou a gostar de Sasuke, Sakura viu que o certo à fazer como amiga seria renunciar Sasuke. Assim Sakura decide romper a amizade com Ino e lutar pelo seu amor, deixando seu cabelo crescer.
Esse ato, de abandonar a amiga e lutar contra ela para conseguiu um garoto, é muitas vezes condenado. Afinal o que ela deveria fazer é renunciar em prol da amiga, nesse momento a decisão certa e bonita de Sakura seria abrir mão de seus sentimentos por Sasuke em nome de sua amiga, e ainda dar apoio para ela, depois de tudo de bom que Ino tinha feito por ela. Isso seria algo tido como bonito na sociedade, mas que na minha opinião não passa de uma forma de vassalagem, puxassaquismo de uma fraca por uma forte. Ino pode ter dado a confiança que Sakura tanto precisava, mas ao adquiria essa confiança, ela adquiriu um poder próprio para se revoltar contra Ino para lutar pela própria felicidade. Viu que junto à Ino seria infeliz – principalmente se Sasuke se enamorar dela – e decidiu se libertar para uma carreira solo.
As situações Ino salvando Sakura e Sakura abandonando Ino são situações diferentes, depois de uma evolução das duas. Elas já não eram as mesmas.
Com os cabelos grandes Sakura conseguia uma arma de sedução para Sasuke (já que nem o peito nem a bunda eram acima da média, só a testa), e com isso passou a lutar contra a Ino.

Sakura também pareceu reprimir as suas vontades e a criar uma personalidade aparente, sendo ela sempre mostrando fazer o que ela achava que era certo, e reprimindo os seus desejos. Daí surge a Inner dela.
Essas foram suas armas por muito tempo.

Cabelos curtos

Sakura se tornou uma kunoichi, lutou junto com o “adorável” Sasuke e o “odiável” Naruto, sempre se mostrando extremamente feminina. Seu maior objetivo era ficar com Sasuke, e usava da imagem de donzela indefesa para isso. Isso até que a realidade ninja pode ser enxergada pelos seu “raio-x-peneira”.
Sakura antes se preocupava em agradar Sasuke, mas na hora que ela finalmente viu que sua realidade era falsa. Seu objetivo nunca deveria ter sido ficar bonita, e sim ficar forte, já que ter beleza seria algo que a faria bem, mas acabaria matando todos aqueles que ela ama. Então naquele momento que tinha Sasuke, Naruto e Lee desacordados e ela tendo que lutar, viu que seu verdadeiro arsenal de guerra consistia em coragem e… nada mais. Mesmo querendo do fundo de sua alma derrotar os ninjas do Som, sua falta de habilidade a impediam, e ela sonhava em, em vez de ter feito chapinha no cabelo ter treinado mais. E foi na vontade de ser mais forte que sakura cortou sua vaidade.
Cortando o cabelo.
Foi nesse momento a grande epifania da vida de Sakura. Descobriu o que é certo e errado, o que fazer e não fazer. Foi a partir daí que ela deixou de se reprimir em uma personaldiade falsa e tornou-se exatamente o que ela é: se não me engano a portir desse ponto, a inner da Sakura apareceu somente 1 ou duas vezes. Assim ela se libertou além da beleza daqueles conceitos que ela tinha que a impedia de ser ela mesma. Assim até começou a fazer e gostar de coisas que não suportava. Foi nesse momento que começou a se aproximar de Naruto, pessoa pela qual parecia odiar por pura conveniência.
E ainda por cima começou a odiar aqueles que se pareciam com o ela que foi um dia. Vide as atitudes dela na batalha contra Ino.

Todavia os planos de treinar tiveram que adiar. Depois de empatar com Ino, seu sensei sumiu do mapa (com quem ela ia treinar), e depois tinha que ficar visitando Sasuke no hospital (seus primeiros passos para a medicina). O que importa é que no segundo momento que precisava ser forte, não foi.
A única coisa que conseguiu fazer para que Sasuke não pudesse ir embora foi chorar, o que de nada adiantou. Disso ela decidiu sair em busca de poder, e procurou justamente a pessoa mais forte que conhecia: a Hokage. Estranhamente, do grupo dela ela foi a única que não teve ninguém falando “Venha comigo que te deixo fortinho”! A única que foi com a cara e coragem mendigar umas aulas foi ela. Daí surgiu uma certa determinação.
E aqui encero essa narrativa cansativa.

Viu? As atitudes em cada fase da vida dela são dessa fase da evolução, sendo impensáveis na fase anterior ou posterior. As pessoas mudam, sabia?
_____________
Agora só a aproveitando o espaço, alguém se lembra da não tão história batalha de Sakura e Karin? Como assim essa batalha a]não aconteceu ainda? Não estou falando de Naruto, e sim Street Fighter! Houve uma batalha entre duas rivais, Sakura e Karin, na qual Karin ganha no fim. Só que devido a “n” fatores que Karin fez antes e durante a batalha, ela reconhece que a luta foi roubada e moralmente Sakura ganhou.
Seria essa a inspiração de Kishimoto ao escrever sobre esta personagem. Já que Kishimoto fez todos os personagens terem nomes significativos, e digamos que “perfume” ou “bosque no verão” não traduzem exatamente a personalidade de Karin…

~ por Misa Misa em 14/06/2009.

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