Os mangás e a crise financeira

Tenho certeza que quem leu o título entrou penando “Que porra a crise financeira mundial tem haver com o andamento dos mangás”. Afinal uma coisa não parece ter nada haver com a outra, uma é dinheiro, trabalho e produção, enquanto a outra é arte, literatura e desenho, bastante independentes. No que uma poderia interferir na outra, sendo assim?
Primeiro vamos à parte chata, porém muito interessante, dessa história. O Japão simplesmente se fufu com a crise, tá todo arrebentado, como podemos ver através desses trechos de reportagens:

JAPAN20082.jpg image by femantunes

“Taro Saito, economista da NLI Research, confirma que a desaceleração nas economias globais afetará as exportações – O Japão provavelmente registrará uma contínua e mais notável contração, enquanto a desaceleração nas economias globais provavelmente afete as exportações e o apetite para gasto de investimento, o que posteriormente prejudicará o gasto dos consumidores – afirmou.”
“Os salários também já não são os mesmos. Um trabalhador do setor de autopeças, um dos que mais atrai os homens brasileiros, ganha por hora até US$ 130. Agora, as vagas são em outras áreas, como a de alimentos e hotelaria, e cujo valor por hora não ultrapassa os US$ 80.” (sobre a demissão em massa de trabalhadores brasileiros no Japão)
“Esta é a pior crise desde o final da guerra. Não resta dúvidas”, declarou Yosano à imprensa.

JAPAN20081.jpg image by femantunes

Já deu para perceber com isso alguns impactos, como um grande índice de desemprego e menor renda familiar. Deste modo as famílias japonesas estão tentando sobreviver com o que ganham, uma sobrevivência que levará a uma qualidade de vida inferior a vigente antes da crise.

Haverá assim um corte nas despesas da família, cortando todo o supérfluo. E o que mangá seria?
Você não come mangá, você não bebe mangá, pelo menos não em situações de sanidade mental normal. Assim, como consequencia da crise haverá uma queda brusca na venda de mangás, o que não é legal para os bolsos da Jump e de todos os seus mangakas. Então tudo o que eles devem fazer para não se prejudicarem é continuar vendendo mangás como antes. E como fazer isso no meio da crise?
Fazendo com que seja impossível não comprar a próxima revista! E depois a próxima, e a próxima. Agora, meu caros amigos, o lance do mangaka inteligente é soltar nesse momento todas as bombas que eles tem nas mãos, fazer a histórias mais do que nunca vendam uma próxima edição. Vejam o que aconteceu com as histórias que você está acompanhando: a maioria deu uma reviravolta, soltou surpresas, começou algo esperado a muito tempo, isso de um a dois meses depois da crise. O que é muita coincidência.
Para exemplificar isso, vamos utilizar como exemplo os dois mangás mas lidos do ocidente: Naruto e Bleach. Vamos ver que estratégia os mangakas estão utilizando para vender muito em plena crise. Isso mesmo, se você continuar lendo vai ter spoiler de ambos os mangás.
– Naruto: não é exatamente Pain a sua fuga da crise, mas sim a velocidade da luta o seu trunfo. Seria o informação em cima de informação, colocar fatos que aconteceriam no decorrer de um ou dois anos acontecendo em dois meses. Isso além de ter transformado a luta entre Naruto e Pain uma luta de jutsos gigantescos, enquanto na maior parte da história jutsos enormes eram usados no fim das batalhas, para definir o vencedor. E é claro, o trunfo morte. Entenda que nenhum mangaka é louco de sair matando personagens ao acaso, e as mortes em Naruto foram todas escolhidas a dedo. Kakashi nem precisa falar que já tinha sido planejada a tempo, devido a sua importância na história, e o pai do Choji é o clássico de sempre “morreu mas não morreu”, vindo. Shizune seria a personagem sem brilho na história, porém sem inimigos que morreu para dar um bom momento de enredo, já Hinata é a personagem amada pelo publico, que Kishimoto já não conseguia encaixar para algo maio de um personagem sem brilhar, conseguiu colocar ela fazendo a única coisa que todos esperavam ela fazer: declarar seu amor. Fatos que tinham tudo para durar um ano, durando meses.

– Bleach: a sorte do Kubo é de uma em um milhão: chegar perto da crise tendo um triunfo tão grande quanto uma luta premeditada a acontecer a tempos a ponto de acontecer mesmo. Tudo o que ele teve de fazer foi brecar a luta no mundo real para dar início ao Ichigo vs Ulquiorra. Dar ao publico o que ele quer é o nome disso. Em vez de acontecerem as lutas entre outros personagens, vamos colocar a luta do protagonista. E no meio dessa luta colocar insinuações de algo que o publico vai ficar curioso em descobrir: que diabos fizeram com a Inoue? Uma coisa que só foi dito uma vez agora é dito completamente de capítulo em capítulo, e digamos que revelação de segredos sempre deu muito ibope.
Conclusão: em época de crise vale tudo. E a partir de agora as mangás vão ficar muito doidos!

~ por Misa Misa em 22/04/2009.

Uma resposta to “Os mangás e a crise financeira”

  1. po caralho

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